Antes ela fazia tudo sempre igual, mas não mais.

Por praticamente 2 anos eu fiz tudo sempre igual.  Durante a semana eu acordava, ligava a máquina do café, entrava no banho e quando pronta, descia e  atravessava duas ruas pra chegar na aula. Na universidade também era sempre tudo igual, passava na catraca, comprava mais um café, subia dois lances de escada e pegava o elevador até o sétimo andar. Dava bom dia aos mais próximos e por causa dos meus 2 graus de miopia procurava sentar o mais perto possível do professor e seus slides. Ficava ali  por cerca de 4 horas. Quando a aula acabava e as deadlines não me obrigavam a ficar até 10 da noite na biblioteca da universidade, eu atravessava de volta as duas ruas pra chegar em casa. Em casa era tudo mais igual ainda. Elevador, chave, porta. Entrava, olhava ao redor, tirava o sapato na porta do quarto e voltava pra cozinha. Abria a geladeira pra pensar “nissin miojo, resto de ontem ou elaborar?”. Se a maioria das louças estivessem sujas eu só enfiava o tupperware com o resto do jantar da noite anterior no microondas, se não, com uma única panela preparava em 3 minutos um miojo. Caso estivesse tudo limpo, elaborava. Quando a refeição tava finalmente decidida, ou eu levava a comida pro quarto pra comer assistindo algo no Netflix com o namorado (via Skype), ou eu sentava na sala pra comer com a própria companhia, olhando pro nada, pensando na vida e nas vontades que praticamente nunca passaram de vontades. Depois disso era banho, cama, Skype com o namorado, facetime com a família, algumas vezes algo pra universidade e dormia, nunca o suficiente, mas dormia. No dia seguinte era tudo igual.

Eu nunca achei aquilo chato e era menos tedioso do que soa falando agora. Ah, e não me entenda errado, eu nunca deixei de me sentir uma pessoa muito sortuda/abençoada/feliz (you name it) por estar vivendo a oportunidade que eu estava, mesmo que naquela hora eu já estivesse acostumada e ela não parecesse tão extraordinária assim. Era viver em Londres, morar sozinha, estudar na melhor universidade, era ter independência… Só que por 2 anos talvez tenha faltado o ingrediente principal para que o conjunto dessa obra fosse perfeito: o entusiasmo.

Mas bem, uma hora o despertador tinha que tocar e no susto eu teria que abrir os olhos. Meu Deus, é Londres! É uma casa só pra mim e minha independência! É a melhor universidade!  wakeup

Eu precisei de alguns empurrõezinhos, de dicas de amigos/familiares e de conselhos de profissionais pra eu acordar e enxergar que eu não conhecia ninguém ao meu redor que estivesse tendo a mesma oportunidade que eu. Eu precisava deixar de ser besta, precisava enxergar que isso tudo um dia tinha sido meu maior sonho e mais do que nunca, aproveitar.  Eu precisava fazer mais do que eu gosto, eu precisava sair de vez em quando pra ser lembrada do quanto amo essa cidade. Eu precisava também me aproximar mais de quem eu me identificava, afinal, ninguém é feliz sozinho.  Quando a ficha começou a cair foi que eu notei que além de tudo isso, eu também precisava registrar mais, já que uma hora essa experiência chegaria ao fim e eu corria o grande risco de olhar pra trás e não ver nada.

Eu acordei. Abri meus olhos e decidi sair da minha zona de conforto, decidi que esse ano seria tudo diferente. Dois mil e dezesseis ponto dois  não será o mesmo de dois mil e dezesseis ponto um. Todo dia eu vou fazer algo diferente, mesmo que isso seja dormir do lado esquerdo da cama ou sei lá, voltar pra casa por um caminho diferente. De pouquinho em pouquinho vai ser tudo diferente e muito mais exciting. Como mencionei antes, vou fazer mais do que eu gosto e por isso vou escrever mais aqui e registrar mais, tanto os grandes quanto os pequenos momentos.

Quando eu comecei a escrever aqui foi com a intenção de manter isso como um diário (não tão) pessoal e registrar todas as experiências que eu vivia aqui, mas em algum ponto no meio do caminho eu parei e eu não sei bem explicar o motivo exato, mas sei bem que além de escrever, mostrar fotos e compartilhar coisas que eu gostava, essa página também me proporcionava a maravilhosa sensação que é de ajudar pessoas. Saber que algumas pessoas vieram estudar ou morar em Londres porque viram minhas fotos e eu dei o empurrãozinho que faltava nelas pra fazer isso, é inexplicável. E se eu posso continuar a fazer isso, por que não continuar, right? Ao invés de responder os e-mails de um por um com as dúvidas que algumas pessoas têm em relação a vir morar aqui, vou continuar juntando as dúvidas mais frequentes e respondendo num post só, como fiz nos últimos dois. Claro que quem preferir pode continuar enviando e-mail, sempre amei recebe-los e continuarei respondendo com maior prazer, e se tiverem indicações de posts, dúvidas que ainda não foram esclarecidas ou qualquer outra coisa, é só falar aqui nos comentários.

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O que eu fiz de diferente hoje: tentei dormir antes das duas da manhã, cheguei na aula antes de faltar 2 minutos pra ela começar, tomei um latte ao invés de café preto, troquei uma idéia com um menina do curso que eu nunca tinha falado na vida, não pulei o almoço, almocei sushi, voltei pra casa por um caminho novo e lavei a louça a mão (geralmente deixo acumular um pouco e depois ponho na máquina).

Lucro do dia: acordei mais cedo e por isso cheguei mais cedo na universidade, descobri que o latte da universidade não é tão ruim quanto o café de lá, troquei telefones com a Julia caso a gente precise de ajuda nos trabalhos da universidade, ganhei um sorvete de graça na volta do almoço e ainda descobri que o ônibus 133 para em frente a minha casa e passa por vários locais que não fui ainda! So far so good! 🙂

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New posts soon pipou.

Bye.

Como encontrar/escolher acomodação em Londres


Finalmente mais um post respondendo uma das perguntas que aparecem frequentemente na minha inbox, espero ajudar a quem sempre me pedia esse post. <3
Muita gente tem me perguntado sobre como encontrei o apartamento em que moro atualmente aqui em Londres, mas a grande maioria dos e-mails que recebo sobre esse assunto são perguntando como encontrar – no geral – um lugar para morar aqui. Essa pergunta, especialmente, vem sempre agregada com outras dúvidas. Há dúvidas sobre morar sozinha, sobre host-families, localizações, experiências, uso de transporte público, zonas e essas coisas… Como são várias as opções, vou tentar simplificar ao máximo e fazer esse post similar ao anterior: primeiro vou explicar meu caso, depois vou mencionar outras experiências que tive e por último, citar e explicar brevemente as outras opções que conheço.

6 dos e-mails que recebi eram de pessoas que JÁ estavam vindo para a Inglaterra mas ainda não haviam decidido um lugar para morar. Bom, a idéia de estar indo estudar em outro país e ainda ter dúvidas sobre onde/como morar, dá, de fato, um pequeno desespero. Esse friozinho na barriga vem tanto pelo fato de você saber que você vai estar sozinho para viver e resolver tudo do outro lado do mundo, quanto pelo fato de você ainda não saber qual das opções vai ser a melhor para você… E sejamos sinceros, ninguém quer tomar esse tipo de decisão pra se arrepender depois. O que mais me ajudou a tomar as decisões que tomei sobre isso, foi me conhecer tão bem a ponto de saber exatamente quais das opções me fariam mais feliz e facilitariam minha vida.

O meu caso

Há dois anos atrás, quando resolvi vir a Londres pela primeira vez, eu vim com a ajuda de uma agência, como mencionei no post anterior. Na época eu não tinha planos de passar mais de 3 meses aqui, então escolhemos as opções em que eu pudesse aproveitar ao máximo a minha experiência no exterior, tanto em relação a cultura, quanto ao idioma. Já que seriam só 3 meses, optei por ficar numa host-family, assim teria contato direto com a cultura britânica e colocaria o inglês em prática não só nas aulas, mas também em casa. Essa foi uma das decisões mais felizes que já tomei. Por conta da família maravilhosa que dei sorte ao ficar, eu quase não quis mais voltar para o Brasil. A família me amou e eu os amei, costumo brincar que os adotei como minha host-family mas no final foram eles que me adotaram, me fazendo transformar os 3 meses em 9. Enfim, long story short: eu criei um vínculo tão especial com a host-family, que quando voltei ao Brasil morri de saudade deles e decidi que, com os planos de voltar para Londres para uma graduação, eu gostaria de ficar com eles novamente, nem que fosse só por um mês. Um ano depois, já com tudo resolvido e confirmado com a universidade para a gradução, era hora de escolher onde/como morar, e essa experiência de ter vivido por 9 meses com uma host-family me ajudou bastante com a decisão final. Com eles aqui, eu sabia que teria um suporte. Um suporte caso qualquer coisa acontecesse, caso houvesse uma emergência ou se eu precisasse da ajuda de um braço familiar com algo. Eu os considero minha família daqui e eles me consideram como uma filha adotiva, então eu sabia que podia contar com eles para qualquer coisa. Isso, especialmente, fez eu me sentir muito mais segura. Criei então mais coragem ainda para morar sozinha e finalmente ter um lugarzinho pra chamar de meu. Quem não quer né? Eu queria um cantinho em que eu pudesse chamar meus amigos quando eu bem quisesse, que eu pudesse ouvir música alta, andar só de pijamas pela casa, tomar banho depois da meia-noite, hospedar familiares… Essas coisinhas que eu não fazia ou não me sentia 100% confortável em fazer numa casa que não era minha, apesar deles sempre terem me dado muita liberdade.

Eu amo ficar sozinha em casa de vez em quando (lê-se quase sempre) e isso foi o tipo de coisa que senti muita falta durante os 9 meses em que vivi com eles. Levei um tempinho pra tomar a decisão final, mas eu sempre me conheci muito bem e sempre soube da importância desses detalhes pra mim, então a escolha foi óbvia: passar o primeiro mês com eles de novo pra matar a saudade mas depois me mudar para morar sozinha. Nada de dividir apartamento com amigos nem nada disso. Morar sozinha.

Decisão tomada, foi hora de começar a procurar ONDE, e como qualquer pessoa que vai fazer algo pela primeira vez e se sente um pouco insegura, a minha primeira atitude também foi pesquisar no Google. Felizmente, logo na primeira pesquisa vi um nome familiar: Zoopla.

Resumindo… Zoopla é um site só pra isso: encontrar casas/apartamentos/flats para alugar ou comprar, isso é: facilitar a vida de todo mundo. Esse foi o primeiro site que olhei, pois lembrei que enquanto morei em Londres pela primeira vez, cruzei com esse nome várias vezes, tanto em propagandas quanto por indicações de amigos. O Zoopla é de confiança e pra quem sempre pergunta: foi através dele que encontrei meu apartamento. O site tem filtros que te ajudam a encontrar propriedades exatamente do jeito/no preço/na localização que você quiser. O meu apartamento eu encontrei através da procura por localização dentro do site. Escolhi esse por ser literalmente ao lado da minha universidade e ser entre a Zona 1 e a 2, as zonas mais centrais de Londres, que significa: de fácil acesso sempre. Para quem vai atrás de onde morar, acho que essa é a principal dica: procurar sempre por localização, acesso e a segurança do local.

O Zoopla é meu favorito, no entanto existem outros sites como ele. Outro que também usei e que sempre vejo propagandas aqui em Londres é o Right Move. É muito parecido com o Zoopla e que também vale a pena dar uma conferida.

Após encontrar o lugar perfeito pra você, basta enviar uma mensagem (no próprio site) mostrando interesse e a agência da acomodação que você escolheu vai entrar em contato com você (geralmente via e-mail), assim você vai poder esclarecer mais algumas dúvidas sobre o local e eles vão te passar mais informações e essas coisas. Depois que você decidir sobre o local, eles vão te enviar uma lista de documentos que você precisa enviá-los para começar o processo de aluguel. Após documentos enviados, o financeiro resolvido e o contrato assinado, vai ficar faltando só receber as chaves do seu cantinho na data decidida.

Comigo foi simples assim. Depois de 1 mês de novo com a host-family, foi hora de preparar a mudança pro meu novo cantinho. Ah, a imobiliária que é responsável pela maioria dos apartamentos no meu prédio é a Gordon&Co, pra quem perguntou. Pode ser inclusive mais prático ainda entrar em contato direto com eles pra quem estiver interessado em apartamentos no mesmo prédio.

Citei minha experiência com a host-family, expliquei meu caso, onde encontrei meu apartamento e agora vou falar um pouco sobre acomodação universitária. A experiência de viver numa acomodação universitária é uma que não tive, mas conheço muita gente que tá tendo, então vou falar só o que eu sei so far.

Acomodação universitária

A maioria dos meus amigos que vivem em acomodação assim amam essa experiência, sempre falam que foi muito boa para fazer amizades e para participar das festas que rolam por lá. A maioria das acomodações funcionam assim: 1 prédio só com estudantes (as vezes só de uma universidade ou não) e em cada andar existe a divisão de flats. Na maioria das vezes o local tem uma cozinha compartilhada e 5 ou mais quartos (suítes ou não). Quando nem todos os quartos são suíte, haverá também um banheiro compartilhado. Simplificando: é como se fosse 5 ou mais estudantes dividindo um apartamento com quartos separados, ou seja, têm que compartilhar uma cozinha e as vezes, o banheiro. No final das contas fica todo mundo amigo e é tudo uma maravilha. Nessas acomodações sempre rolam festinhas e essas coisas, então pra quem gosta disso, é uma ótima opção, provavelmente a melhor. Esse tipo de acomodação costuma, claro, ser bem mais barata que alugar um flat independente, então as vezes é uma opção que vale muito a pena para quem não se incomoda com a rotina, condição e regras de uma acomodação universitária. As regras das acomodações são geralmente muito restritas com algumas besteiras, as mais comuns são: nada de brincar com fogo (dê adeus a velas, luzinhas de natal etc), nada de danificar a acomodação (nada de pendurar pôsters, quadros, riscar as paredes ou danificar o carpete), não receber visitas a partir de certo horário (maioria das acomodações tem uma pessoa na portaria para controlar isso), hospedar alguém só se for por não mais de 1 ou 2 semanas (inclusive familiares), manter o local sempre limpo (essa é fácil, mas nunca se sabe quando vai rolar inspeção né). Enfim, já vi muita acomodação ser bem restrita com algumas regras mas também já vi algumas não dar importância nenhuma a elas, então cabe a sorte.

Como mencionei no post anterior, a maioria dos estudantes vivem em acomodações universitárias só no primeiro ano e depois se mudam para um apartamento independente, geralmente dividindo com um ou mais amigos que se tornaram mais próximos durante o primeiro ano. Acho essa idéia maravilhosa.

Pra quem me perguntou pq eu não fiz isso: pq eu acho que (infelizmente) eu simplesmente não conseguiria viver nas condições dessas acomodações. Como já falei, as vezes preciso (e amo) ficar sozinha… Amo silêncio e amo não precisar socializar 24h por dia. Então: sem som alto quando preciso estudar/ficar fazendo minhas coisas ou festas na minha cozinha quando eu não tô afim. Muito menos dividir essa cozinha ou banheiro com um milhão de pessoas né (está permitido me chamar de fresca por isso). Mas enfim, essa sou eu e apesar dessa ser eu, eu super indico essa experiência a outras pessoas que não se incomodariam com essas condições. É com certeza uma experiência maravilhosa e que vai valer muito a pena.

Nesse post ficou a maioria das dúvidas que recebi por e-mail, se alguém ainda tiver alguma dúvida em relação a esse assunto, é só deixar nos comentários ou continuar enviando pro thaisct@hotmail.com

Ps. Finalmente tô organizando um post que sempre me pediram muito: um tour em fotos pelo meu apartamento. Assim que eu pegar ele arrumadinho pós-faxina aproveitarei pra tirar umas fotos e poder mostrar pra vocês aqui. Amo meu cantinho e sempre fico muito feliz quando recebo elogios sobre ele, então o prazer em deixar as fotos aqui depois será todo meu. <3

Continuem enviando e-mails, eu adoro! 🙂

Bisous

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